18/05/2020

FILOSOFIA TRADUZIDA


Caros amigos e amigas da sabedoria!

O mercado de livros de filosofia em português brasileiro melhorou muito nos últimos anos, tanto em quantidade como em qualidade. Mas ainda há muitas obras importantes que não foram traduzidas ou que já se esgotaram faz tempo.

Obras que, inclusive, já caíram em domínio público, como as destes pensadores e pensadoras: Jakob F. Fries (1773-1843), Ernst F. Apelt (1812-1859) Rudolf Steiner (1861-1925), Miguel de Unamuno (1864-1936), M. Garcia Morente (1886-1942), Simone Weil (1909-1943), Joseph Marèchal (1878-1944), Alfred N. Whitehead (1861-1947) e Nicolai Berdiaev (1874-1948).

Sou professor de filosofia, em cursos de graduação, pós-graduação e em cursos livres, há mais de 12 anos. Já traduzi e revisei obras de ou sobre Edith Stein, Wilhelm Weischedel, Alessandro Ghisalberti, Vittorio Hösle, Joseph Ratzinger, Raimon Panikkar, Kurt Flasch dentre muitos outros.

O projeto Filosofia Traduzida pretende oferecer ao público leitor brasileiro, em tradução livre - evitando ao máximo os tecnicismos, mas respeitando o sentido original -, alguns textos seminais da história da filosofia moderna e contemporânea.

Para começar, alguns dos trabalhos de Leonar Nelson (1882-1925), Max Scheler (1874-1928), Edith Stein (1891-1942) e Ernst Cassirer (1874-1945). Todos de introdução à filosofia (essência, método etc.) e sobre a relação da filosofia com a cultura em geral (mito, religião, arte, política, ciência etc.).

Esses textos serão traduzidos e publicados em formato digital (Epub, PDF etc.), até o fim de 2020, pelo selo Methexis-20. Serão vendidos nas principais livrarias virtuais e plataformas de marketplace a preços módicos, mas superiores às contribuições feitas por meio da kickante. Estão previstos 4 e-books por ano.

Os amigos que contribuírem para a Filosofia Traduzida receberão as traduções, em primeira mão, à medida que forem concluídas.

Esta foi a maneira que encontrei para sobreviver a estes meses de confinamento e desemprego, e, ao mesmo tempo, de colaborar de modo relevante com a sociedade brasileira nestes tempos obscuros, de desorientação e incerteza.

Contribua, doando o que puder (os valores mínimos estão indicados ao lado, como Recompensas) para o projeto Filosofia Traduzida e divulgue-o nas suas redes sociais e entre os seus contatos.

Conto com o seu apoio!

Muito obrigado e até logo,

Edson D. Gil


Methexis-20

Compartilhando conteúdo relevante em tempos de pandemia

PARRÉSIA

Pandemia ressalta importância de dizer a verdade, diz Nobel de Medicina
Margarita Rodríguez
Da BBC News Mundo
17 maio 2020


Peter Ratcliffe na cerimônia do Prêmio Nobel em 10 de dezembro de 2019
Peter Ratcliffe, Nobel de Medicina (2019)


"Um dos principais aspectos desta pandemia é a importância de se dizer a verdade. Ficará claro quem fez isso ou não, à medida que as pesquisas avançam. Não tenho simpatia pelas pessoas que continuam escondendo os fatos. Acho que o público pode lidar com más notícias e algum nível de incerteza.

"Acho que existem diferentes tipos de problemas em muitos países no momento, em relação à forma como os líderes reagiram à epidemia. Acho que, se há uma lição, seria contar toda a verdade e nada além da verdade."

Leia a matéria AQUI

16/05/2020

Vem, noite antiquíssima e idêntica

FERNANDO PESSOA

...
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé antepé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso e inútil.
...


Literatura-Vivência: Iberê Camargo, sua "trivia" e seus processos
Iberê Camargo

14/05/2020

RECOMEÇO

A partir de amanhã, 15-5-20, este blog será a casa do projeto-mãe Methexis-20, o qual abrigará outros projetos-filho, como o Filosofia Traduzida.

27/01/2019

Conheça o Homem de Gelo

(Veja a matéria do programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, sobre o holandês Wim Hof)


02/05/2018

Golpe da Política vs. Golpe na Política

Contrariamente ao que nos querem fazer acreditar, a Teoria ou Tese do Golpe não é defendida por todas as esquerdas. O PSOL, p. ex., parece não ter chegado a um consenso sobre o caso, tendo a própria Luciana Genro se pronunciado criticamente a respeito.

O fato é que se houve um golpe (de Estado, parlamentar, jurídico-midiático etc.), tratou-se de um golpe sui generis, uma vez que transcorreu de modo “democrático”: foi conduzido por parlamentares eleitos pelo povo, seguindo os ritos legais, com supervisão do judiciário, sem violência nem cassação de direitos de nenhuma espécie. Nota bene: a própria Dilma não perdeu os direitos políticos.

Apesar da intensa propaganda e de toda paixão com que é defendida pela militância político-partidária, sobretudo petista, a tese do golpe não se sustenta. Para desmontá-la, além de a confrontar com os fatos, basta formular algumas perguntas simples: se contasse com o apoio de 1/3 do Congresso Nacional, a presidenta teria caído?; e se ela não tivesse cometido estelionato eleitoral?; se a economia estivesse crescendo, ainda que minimamente?; se o presidente fosse o Lula ou outro minimamente "popular"?; ou se o vice-presidente, escolhido por Lula e pelo PT, não fosse um traidor profissional?

E mais: se não tivesse sido “impichada”, a Dilma conseguiria governar?; ela já não havia perdido completamente o comando?; como se pode sustentar um governo com medidas populistas, meramente paliativas, casuísticas, de curtíssimo prazo, e às custas do caixa de estatais? Etc.

Na verdade, o que se tem chamado de golpe não passou de um ajuste, de um reequilíbrio de forças. A Dilma venceu as eleições por uma pequena vantagem, a qual se converteu em desvantagem assim que o estelionato ficou patente para os eleitores, que se sentiram enganados.

O nosso regime político, conhecido como presidencialismo de coalizão (ou, mais precisamente, de cooptação), é uma espécie de parlamentarismo degenerado. Nesse regime híbrido, o impeachment cumpre a função "democrática" de destituir o governante inepto sem ruptura legal nem uso de violência.

Se ainda assim insistem em chamar isso de golpe, para mim tanto faz: o nome não muda a natureza da rosa.

Uma das coisas que mais chamam a atenção, entretanto, é como as esquerdas, de repente, passaram a defender com unhas e dentes a institucionalidade, em geral, e a Constituição, em particular. Da noite para o dia, boa parte da esquerda passou a venerar o chamado Estado de Direito e a tal da República.

Ora, para as esquerdas, essas instituições nunca passaram de instrumentos da luta pela conquista e manutenção do poder. Pouco antes da prisão do Lula, senadores do PT fizeram acalorados discursos contra a tal da institucionalidade. O próprio Lula, no seu discurso de despedida, louvou as invasões – só as legais? – perpetradas pelo MST. Analistas políticos "progressistas" consideram que o Lula e, sobretudo, a Dilma cometeram um pecado mortal: o do "republicanismo". Estariam eles pagando um alto preço por não terem intervindo – diretamente? – nas instituições (MP, PF etc.).

Os arroubos republicanos ad hoc de boa parte da esquerda, tanto em relação ao "golpe" quanto em relação à condenação e prisão do Lula (e, por extensão, à prisão em segunda instância etc.), revelam uma profunda incoerência. Tão profunda que está minando – ainda mais? – a própria identidade das esquerdas.

O ora incensado Estado Republicano de Direito não passa, de fato, de um instrumento de domínio. Como todo poder – dominante, explorador, opressor etc. –, pertence também ele à lógica, ou melhor, à dialética infernal do Sistema, do capitalismo global, one world, a que chamamos de civilização ocidental cristã.

As esquerdas, com raras exceções – quais mesmo? –, iludem-se se creem poder fazer parte do jogo sem se submeter à sua lógica. Mais ingênuos ainda são os militantes que ainda creem na possibilidade de uma revolução imanente, de uma transformação do capitalismo a partir de dentro dele mesmo, e com as próprias armas. Ledo engano!

Quando se trata de capitalismo, como se diz: o que cai na rede é peixe. Tudo que entra no jogo é imediatamente assimilado, transformado em mais uma peça, uma engrenagem de uma maquinaria impessoal, que apenas persegue os próprios fins – o dinheiro como materialização do valor abstrato – sem absolutamente nenhum escrúpulo.

Não é que a luta de classes, com seus preconceitos e ódios, não exista. Ao contrário! Essa "contradição" sempre existiu, mesmo antes do capitalismo. E por isso mesmo não pode constituir a sua essência.

A instrumentalização política da luta de classes e de outras "contradições" não só não leva à superação do capitalismo, como ainda o fortalece. Pois que elas são o próprio motor do Sistema, o combustível da maquinaria.

A defesa da Teoria do Golpe bem como da institucionalidade em geral e da Constituição em particular, numa palavra, a defesa da "política", redunda na defesa, no fomento do próprio capitalismo, ou seja, no retardamento do fim de um sistema econômico-social que já mostra claros sinais de exaustão (“o capital é o limite do capital”).

Não seria mais coerente, portanto, em vez de lutar politicamente pela reversão de um suposto golpe, abandonar a política, dando um golpe NA política? Lutar fora da política, fora do Sistema, com outras armas, sob outra lógica – não violenta, não dominante, opressora, exploradora etc.? Para o bem das futuras gerações e do futuro do planeta?

Nas próximas eleições, raro leitor, pense nisso, seja radical e um autêntico “golpista”!

17/04/2018

Eleições vs. Democracia

David van Reybrouck, historiador belga, e James Fishkin, professor americano, propõem democracia deliberativa e seleção randômica de parlamentares.

A reportagem é de Ronaldo Bressane, jornalista e escritor, publicada por O Estado de S. Paulo em 15-4-2018.*

Somente 33% dos europeus confiam na UE. Nas eleições de meio de mandato nos EUA, não compareceram 60% dos eleitores. No Brasil, a abstenção em 2014 ficou em 25%, e, nas pesquisas para 2018, votos brancos e nulos estão em torno de 20%.

“A culpa é dos políticos” é o diagnóstico do populismo – e o remédio é uma representação popular. “A culpa é da democracia” é o diagnóstico da tecnocracia – e temos soluções como em Cingapura, país linha-dura governado há décadas por um presidente-CEO. “A culpa é da democracia representativa”, afirmam defensores da democracia direta.

Para Reybrouck “a culpa é da democracia representativa eleitoral”. Distingue “eleições” de “democracia” e remete-nos aos primórdios. Além de a Grécia ter escravos e restringir o voto aos homens, as funções da república eram sorteadas para um período de um ano, sem reeleição, para evitar a corrupção. Os cidadãos se revezavam nas funções em todos os níveis. Nas financeiras e militares, eram escolhidos os mais competentes. Para Aristóteles, a democracia passa pela ideia de sorteio: "democracia representativa aleatória”.

As eleições foram criadas no século 18 para que a elite não perdesse o poder. “A Revolução Francesa, como a Norte-americana, não eliminou a aristocracia para instalar uma democracia, mas eliminou uma aristocracia hereditária para instalar uma aristocracia eleita.” Contra o que chama de “patogênese do nosso fundamentalismo eleitoral”, Reybrouck propõe a democracia deliberativa – já defendida pelo filósofo alemão Jürgen Habermas.

O maio defensor desse conceito e criador de instrumentos para implementá-lo é James Fishkin, professor de ciências sociais da Universidade de Stanford, que propõe uma democracia em que os cidadãos não apenas votam nos políticos, mas discutem com eles e com os especialistas.

* Leia a reportagem (que resumo acima), seguida de entrevista concedida por Fishkin, aqui ou aqui.

16/04/2018

Justiça vs. Igualdade

Embora a condição socioeconômica da humanidade venha melhorando nas últimas décadas, sobretudo a partir da 2ª Guerra Mundial, o mundo globalizado é cada vez mais desigual. É o que se poderia chamar de "paradoxo do capitalismo".

Com efeito, ao mesmo tempo que gera muita riqueza, o capitalismo tende a concentrá-la cada vez mais nas mãos de cada vez menos empresas e pessoas. O capitalismo baseia-se no acúmulo e não na distribuição de riqueza.
Assim, se o total da riqueza de uma população de 100 habitantes é de 100 dinheiros, cada habitante poderia dispor igualmente de 1 dinheiro. Mas se a riqueza dessa mesma população triplicasse, 90 habitantes poderiam dispor, por exemplo, de 2 dinheiros cada, e o restante, 120 dinheiros, ficar nas mãos de 10 habitantes, cabendo a cada um 12 dinheiros. Desse modo, a riqueza de 90% da população seria dobrada, enquanto a dos outros 10% seria multiplicada por 12, tendo, portanto, um crescimento 6 vezes maior.

O capitalismo, além disso, é um sistema estruturalmente instável. Não tem um desenvolvimento linear, mas vive de crises cíclicas. E nessas crises produzidas pelo próprio sistema (superprodução, inflação, bolhas etc.), ocorre uma redução da renda média da população (desemprego, subemprego, precarização do trabalho etc.).

Esse achatamento, porém, não atinge a todos igualmente. No exemplo acima, ele afetaria pouco mais do que os 90% mais pobres.

A desigualdade (crescente) é, por conseguinte, um grande problema do capitalismo. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo: 10% da população concentram 43,3% da renda do país. Mas mesmo países desenvolvidos como os EUA também são relativamente desiguais. Em 2016, quase 41 milhões de estadunidenses, ou 13% da população, viviam na pobreza.

Não obstante, parece-me que o maior problema não é a desigualdade e sim a iniquidade. Não se trata, pois, de uma questão meramente quantitativa, mas sim de uma questão qualitativa.

É claro que a igualdade de oportunidades já representaria um grande avanço. Mas com isso não se resolveriam todos os problemas.

Em primeiro lugar, seria necessário garantir igualdade de condições INICIAIS, o que já representa muito mais do que a igualdade abstrata de oportunidade. Em seguida, seria necessário flexibilizar a igualdade no sentido da equidade: tomando de cada um segundo a sua capacidade e devolvendo a cada um segundo a sua necessidade*.

A equidade é desigual, ou seja, a igualdade não é necessariamente justa.

A pergunta de um milhão de dólares é se o capitalismo poderia ser reformado para tornar-se um sistema equitativo, justo.

A minha resposta, de um centavo, é: não.

* Essa proposta foi apresentada por Karl Marx, em termos semelhantes, na sua Critica ao Programa de Gotha (1875). É equivocada, pois, a ideia de que o comunismo marxiano defende a igualdade pura e simples.

14/11/2017

Argumento antidogmático

Argumentos não são verdadeiros (nem falsos).

Teorias* são conjuntos mais ou menos sistemáticos de argumentos.

Teorias não são verdadeiras (nem falsas).


*Em geral: científicas, filosóficas, religiosas, do senso comum etc.