Os psicóticos?
Os fascistas?
Os reacionários?
Os crentes?
Os irracionalistas?
Os sem diploma?
Os astrólogos?
Hum... será?
Pega aí na estante uma história da filosofia e dá umolhadinha!
26/01/2022
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25/01/2022
Soltaram fogos pela manhã
Não sei se por causa de Sampa, que completa seu 468º aniversário, do Verdão, que finalmente conquistou a Copinha, ou por causa do guru do bolsonarismo, que morreu pela última vez essa madrugada.
Falando nisso, tem gente mandando o defunto pro inferno, alguns inclusive declinando para qual círculo ele deveria ir.
Não querendo estragar o barato de ninguém, pergunto: mas não foi isso que sempre fizeram ao longo de décadas, ou seja, mandar o astrólogo, o perenialista, o jornalista polemista, o professor amador de filosofia, o filósofo de internet, o pseudofilósofo, antifilósofo, influencer, guru da extrema direita, antivacina etc., enfim, mandar esse sujeito pro inferno?
E o que ganhamos com isso?
Foi o ostracismo a que o condenaram a academia e a gente bem-pensante, toda a gente que não conversa com fascista, que acabou criando o monstro: o criador ou expositor da ideologia do pior governo da história deste país.
Um governo, aliás, que ainda não acabou, e uma ideologia que não acabará com ele.
Acha que muda alguma coisa o cara estando morto? Infelizmente não; o trabalho de ressurreição já começou.
Então, meu amigo, comemore, dê largas a seus mais baixos instintos, mas, depois, vê se para e pensa um pouquinho!
Falando nisso, tem gente mandando o defunto pro inferno, alguns inclusive declinando para qual círculo ele deveria ir.
Não querendo estragar o barato de ninguém, pergunto: mas não foi isso que sempre fizeram ao longo de décadas, ou seja, mandar o astrólogo, o perenialista, o jornalista polemista, o professor amador de filosofia, o filósofo de internet, o pseudofilósofo, antifilósofo, influencer, guru da extrema direita, antivacina etc., enfim, mandar esse sujeito pro inferno?
E o que ganhamos com isso?
Foi o ostracismo a que o condenaram a academia e a gente bem-pensante, toda a gente que não conversa com fascista, que acabou criando o monstro: o criador ou expositor da ideologia do pior governo da história deste país.
Um governo, aliás, que ainda não acabou, e uma ideologia que não acabará com ele.
Acha que muda alguma coisa o cara estando morto? Infelizmente não; o trabalho de ressurreição já começou.
Então, meu amigo, comemore, dê largas a seus mais baixos instintos, mas, depois, vê se para e pensa um pouquinho!
19/01/2022
Teste infalível
SE está de pleno acordo com algum filósofo acerca de princípios,
ENTÃO você não é um filósofo.
NB: A discordância acerca de princípios é uma condição necessária, mas não suficiente.
NB: A discordância acerca de princípios é uma condição necessária, mas não suficiente.
13/01/2022
Fantasmagoria transcendental
Ou a confusão paraláctica do professor Carvalho
Estava eu procurando uns vídeos de introdução a Kant e me deparei com este, do jornalista, professor e filósofo (sou como o IBGE, se alguém me disser que é branco e hétero, eu acredito) Olavo de Carvalho, que aliás acaba de morrer mais uma vez esta semana.
Vi apenas os 2 primeiros minutos, que não sou de ferro. Mas foi o bastante para constatar que o professor Carvalho não entendeu o básico do idealismo transcendental.
Não deixa de ser curioso, pois ele diz que leu Eric Weil, Zubiri, Lonergan, filósofos que estudaram Kant e tinham uma boa compreensão de seu pensamento.
Para resumir, Carvalho incorre no mesmo erro que atribui a Kant: ele esquece de si mesmo.
Quando diz que o sujeito empírico --que ele não distingue do transcendental-- não só recebe as emissões do mundo de acordo com suas estruturas a priori, mas, como parte do mundo, também projeta emissões a priori, Carvalho se esquece que só pode saber disso como... sujeito!
E que, como sujeito, saberia desse suposto a priori objetivo segundo as formas e categorias... subjetivas!
O exemplo que o professor dá é nada menos que tosco, mas vou aproveitá-lo para fazer uma reflexão que, ainda que mínima, talvez possa esclarecer esse ponto.
Assumindo que o sujeito do exemplo, que se vê no espelho, seja uma espécie de sujeito "concreto", empírico-transcendental, pergunta-se: o que distingue o sujeito vidente do sujeito visto?
Sim, obviamente, que o sujeito visto é apenas uma imagem refletida, um reflexo, do sujeito vidente.
Mas qual é a diferença fundamental entre um e outro, entre o sujeito concreto e o refletido?
A diferença, que o professor, por ter partido de uma posição ingênua, acrítica, não pode perceber é que o segundo, o sujeito-imagem, não... vê!
Não vê, nem, muito menos, enxerga nada, pois não passa de um objeto entre muitos outros.
O que quer que esse "sujeito objetal" emita ou deixe de emitir sempre será percebido por um sujeito qualquer como... objeto!
Emissões objetivas a priori não passam de fantasmagorias, ou, para falar com Kant, de ilusões transcendentais.
Estava eu procurando uns vídeos de introdução a Kant e me deparei com este, do jornalista, professor e filósofo (sou como o IBGE, se alguém me disser que é branco e hétero, eu acredito) Olavo de Carvalho, que aliás acaba de morrer mais uma vez esta semana.
Vi apenas os 2 primeiros minutos, que não sou de ferro. Mas foi o bastante para constatar que o professor Carvalho não entendeu o básico do idealismo transcendental.
Não deixa de ser curioso, pois ele diz que leu Eric Weil, Zubiri, Lonergan, filósofos que estudaram Kant e tinham uma boa compreensão de seu pensamento.
Para resumir, Carvalho incorre no mesmo erro que atribui a Kant: ele esquece de si mesmo.
Quando diz que o sujeito empírico --que ele não distingue do transcendental-- não só recebe as emissões do mundo de acordo com suas estruturas a priori, mas, como parte do mundo, também projeta emissões a priori, Carvalho se esquece que só pode saber disso como... sujeito!
E que, como sujeito, saberia desse suposto a priori objetivo segundo as formas e categorias... subjetivas!
O exemplo que o professor dá é nada menos que tosco, mas vou aproveitá-lo para fazer uma reflexão que, ainda que mínima, talvez possa esclarecer esse ponto.
Assumindo que o sujeito do exemplo, que se vê no espelho, seja uma espécie de sujeito "concreto", empírico-transcendental, pergunta-se: o que distingue o sujeito vidente do sujeito visto?
Sim, obviamente, que o sujeito visto é apenas uma imagem refletida, um reflexo, do sujeito vidente.
Mas qual é a diferença fundamental entre um e outro, entre o sujeito concreto e o refletido?
A diferença, que o professor, por ter partido de uma posição ingênua, acrítica, não pode perceber é que o segundo, o sujeito-imagem, não... vê!
Não vê, nem, muito menos, enxerga nada, pois não passa de um objeto entre muitos outros.
O que quer que esse "sujeito objetal" emita ou deixe de emitir sempre será percebido por um sujeito qualquer como... objeto!
Emissões objetivas a priori não passam de fantasmagorias, ou, para falar com Kant, de ilusões transcendentais.
Primeira lição de lógica
(E de Epistemologia)
Todo macaco é mortal
Ora, Sócrates é um macaco
Logo, Sócrates é mortal
O argumento acima --que estritamente falando não é um silogismo*-- tem uma premissa maior, uma menor e uma conclusão inferida (por dedução) de ambas.
Embora seja válido --uma vez que, se as premissas são verdadeiras, a conclusão é necessariamente verdadeira--, esse argumento contém uma premissa, a menor, falsa.
Sócrates não é um macaco.
Trata-se pois de um argumento válido, porém fraco, não "sólido".
Esse simples exemplo deveria nos ensinar que é possível deduzir proposições verdadeiras de proposições falsas, verdades de falsidades, de erros ou mentiras.
A lógica formal não tem portanto nada que ver com o valor de verdade das proposições dos argumentos, ou seja, com seu conteúdo, sua "matéria".
Ora, as teorias em geral, inclusive as científicas, são conjuntos mais ou menos sistemáticos de argumentos.
São por assim dizer grandes argumentos compostos de muitos argumentos menores.
Com base no que acabamos de ver, não é impossível que uma teoria científica se baseie em premissas falsas.
A parte experimental das ciências consiste justamente num processo dedutivo, pelo qual se busca mostrar que o resultado de um experimento reprodutível é efetivamente um caso particular da hipótese geral levantada inicialmente.
Mas a hipótese é levantada por meio de indução, e sabemos que uma das características distintivas da indução consiste no fato de esse tipo de raciocínio não poder garantir a verdade (V) da sua conclusão.
Assim, a primeira lição de lógica se nos revelou também como a primeira lição de epistemologia.
Ela nos ensina que as teorias em geral e as teorias científicas em particular padecem de uma insuficiência básica insuperável, tanto lógica quanto empiricamente.
(Outros ensinamentos se podem ainda tirar dessa lição; por exemplo, que, como todo argumento, as teorias não são nem verdadeiras nem falsas.)
Esse ensinamento elementar, no entanto, parece não ter sido devidamente aprendido por muitos cientistas, que dirá por leigos.
PS1: Ainda se encontram nos sebos manuais de Lógica Material, que, partindo de Aristóteles, pretendiam ensinar como se descobre a verdade. Hoje o conteúdo desses manuais integra o que se passou a conhecer como Metodologia Científica.
PS2: Embora elementar, esse é um textículo de filosofia, e em filosofia tudo é discutível. Assim, os hegelianos dirão que é claro que existe uma lógica material, afinal a própria realidade tem uma estrutura lógica. Os peircianos dirão que hipóteses são formuladas por abdução e não por indução. Os popperianos, que não existe indução, ou, quando muito, que se trata de uma questão de fato, do domínio da psicologia. E, não por último, os anarquistas seguidores de Feyerabend, que nem sequer existe método científico... Mas estas e outras objeções também são, por sua vez, discutíveis!
PS3: Agradeço antecipadamente por correções e sugestões!
*Agradeço ao prof. Cassiano T. Rodrigues pelo esclarecimento.
Todo macaco é mortal
Ora, Sócrates é um macaco
Logo, Sócrates é mortal
O argumento acima --que estritamente falando não é um silogismo*-- tem uma premissa maior, uma menor e uma conclusão inferida (por dedução) de ambas.
Embora seja válido --uma vez que, se as premissas são verdadeiras, a conclusão é necessariamente verdadeira--, esse argumento contém uma premissa, a menor, falsa.
Sócrates não é um macaco.
Trata-se pois de um argumento válido, porém fraco, não "sólido".
Esse simples exemplo deveria nos ensinar que é possível deduzir proposições verdadeiras de proposições falsas, verdades de falsidades, de erros ou mentiras.
A lógica formal não tem portanto nada que ver com o valor de verdade das proposições dos argumentos, ou seja, com seu conteúdo, sua "matéria".
Ora, as teorias em geral, inclusive as científicas, são conjuntos mais ou menos sistemáticos de argumentos.
São por assim dizer grandes argumentos compostos de muitos argumentos menores.
Com base no que acabamos de ver, não é impossível que uma teoria científica se baseie em premissas falsas.
A parte experimental das ciências consiste justamente num processo dedutivo, pelo qual se busca mostrar que o resultado de um experimento reprodutível é efetivamente um caso particular da hipótese geral levantada inicialmente.
Mas a hipótese é levantada por meio de indução, e sabemos que uma das características distintivas da indução consiste no fato de esse tipo de raciocínio não poder garantir a verdade (V) da sua conclusão.
Assim, a primeira lição de lógica se nos revelou também como a primeira lição de epistemologia.
Ela nos ensina que as teorias em geral e as teorias científicas em particular padecem de uma insuficiência básica insuperável, tanto lógica quanto empiricamente.
(Outros ensinamentos se podem ainda tirar dessa lição; por exemplo, que, como todo argumento, as teorias não são nem verdadeiras nem falsas.)
Esse ensinamento elementar, no entanto, parece não ter sido devidamente aprendido por muitos cientistas, que dirá por leigos.
PS1: Ainda se encontram nos sebos manuais de Lógica Material, que, partindo de Aristóteles, pretendiam ensinar como se descobre a verdade. Hoje o conteúdo desses manuais integra o que se passou a conhecer como Metodologia Científica.
PS2: Embora elementar, esse é um textículo de filosofia, e em filosofia tudo é discutível. Assim, os hegelianos dirão que é claro que existe uma lógica material, afinal a própria realidade tem uma estrutura lógica. Os peircianos dirão que hipóteses são formuladas por abdução e não por indução. Os popperianos, que não existe indução, ou, quando muito, que se trata de uma questão de fato, do domínio da psicologia. E, não por último, os anarquistas seguidores de Feyerabend, que nem sequer existe método científico... Mas estas e outras objeções também são, por sua vez, discutíveis!
PS3: Agradeço antecipadamente por correções e sugestões!
*Agradeço ao prof. Cassiano T. Rodrigues pelo esclarecimento.
09/01/2022
Uma paixão inútil
É comum se dizer que, para Platão, a filosofia começa com a admiração. Mas raramente se diz que, para ele, a admiração é uma paixão:
"é muito do filósofo essa paixão (páthos), o admirar-se (thaumázein), pois não há outro princípio (arché) da filosofia a não ser esse." (Platão, Teeteto, 155d)
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