David van Reybrouck, historiador belga, e James Fishkin, professor americano, propõem democracia deliberativa e seleção randômica de parlamentares.
A reportagem é de Ronaldo Bressane, jornalista e escritor, publicada por O Estado de S. Paulo em 15-4-2018.*
Somente 33% dos europeus confiam na UE. Nas eleições de meio de mandato nos EUA, não compareceram 60% dos eleitores. No Brasil, a abstenção em 2014 ficou em 25%, e, nas pesquisas para 2018, votos brancos e nulos estão em torno de 20%.
“A culpa é dos políticos” é o diagnóstico do populismo – e o remédio é uma representação popular. “A culpa é da democracia” é o diagnóstico da tecnocracia – e temos soluções como em Cingapura, país linha-dura governado há décadas por um presidente-CEO. “A culpa é da democracia representativa”, afirmam defensores da democracia direta.
Para Reybrouck “a culpa é da democracia representativa eleitoral”. Distingue “eleições” de “democracia” e remete-nos aos primórdios. Além de a Grécia ter escravos e restringir o voto aos homens, as funções da república eram sorteadas para um período de um ano, sem reeleição, para evitar a corrupção. Os cidadãos se revezavam nas funções em todos os níveis. Nas financeiras e militares, eram escolhidos os mais competentes. Para Aristóteles, a democracia passa pela ideia de sorteio: "democracia representativa aleatória”.
As eleições foram criadas no século 18 para que a elite não perdesse o poder. “A Revolução Francesa, como a Norte-americana, não eliminou a aristocracia para instalar uma democracia, mas eliminou uma aristocracia hereditária para instalar uma aristocracia eleita.” Contra o que chama de “patogênese do nosso fundamentalismo eleitoral”, Reybrouck propõe a democracia deliberativa – já defendida pelo filósofo alemão Jürgen Habermas.
O maio defensor desse conceito e criador de instrumentos para implementá-lo é James Fishkin, professor de ciências sociais da Universidade de Stanford, que propõe uma democracia em que os cidadãos não apenas votam nos políticos, mas discutem com eles e com os especialistas.
* Leia a reportagem (que resumo acima), seguida de entrevista concedida por Fishkin, aqui ou aqui.
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