Não há "negacionismo" no filme "Não olhe para cima". O que há é cálculo político.
A presidenta aprova uma primeira missão, que é abortada. E por fim comanda outra missão, patrocinada pelo "emprresário evolucionário" multibilionário, que fracassa.
Ambas as missões são projetadas e conduzidas por cientistas.
Isso não é negacionismo!
Mesmo porque não existe ciência autônoma, sem interferência política e, portanto, também econômica.
Mas parece que ainda há quem conceba a ciência como Aristóteles, ou Descartes.
A ciência não tem nada a dizer sobre o que devemos ou não fazer, seja contra cometas, seja contra pandemias.
Ela resolve problemas, indicando e, quando possível, fornecendo os melhores meios: mísseis, vacinas etc.
De si mesma, a ciência não é humanista, ecológica, nem sequer ética.
Ela responde a perguntas, e atende a solicitações. A pergunta deve ser clara, bem como as condições.
Como desviar um cometa a partir do território dos EUA e dentro deste prazo? Como debelar a pandemia, com o mínimo de mortes, de internações, e sem derrubar o PIB? E: sem ferir princípios éticos, respeitando tais e tais valores etc.
Ou: como eliminar os judeus, os negros, os ciganos, os gays, os deficientes etc., de forma rápida, secreta, sem muito custo etc., e usando o processo de extermínio também como laboratório de pesquisa para o aprimoramento da raça etc.?
Colocados os fins e as condições, paga-se a conta.
É isso.
Os Atilas e as Pasternaks que me desculpem, mas estão precisando é de uma dose de realismo.
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